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  • Caroline Marcon

VALOR ECONÔMICO: Segunda-feira mínima: o que é, quais são seus riscos e benefícios?

Novo momento no mundo do trabalho vem na esteira da demissão silenciosa.

Matéria com participação de Caroline Marcon para o portal Valor Econômico


A segunda-feira mínima é uma nova tendência no mundo do trabalho e está se fortalecendo nos últimos tempos.

Esse momento incentiva os trabalhadores a reduzirem o ritmo das atividades nesse dia da semana.

Em um levantamento realizado em 2021 pela YouGov, 58% das 4.000 pessoas entrevistadas responderam que a segunda-feira é o dia da semana que elas menos gostam.

De acordo com uma matéria publicada pela revista "Fortune", a segunda-feira mínima é uma prática em que os funcionários aparecem no trabalho apenas para fazer o mínimo no primeiro dia útil da semana, muitas vezes começando o expediente atrasados após uma manhã dedicada ao autocuidado.

O movimento teria se popularizado após um vídeo da influenciadora norte-americana Marisa Jo, no qual ela explica e defende a prática, ter viralizado no TikTok.

Segundo a especialista em carreira, Maiti Junqueira, esse é um movimento em resposta ao excesso de trabalho e produtividade vivido na pandemia e nos anos sequenciais e que, em breve, pode encontrar um ponto de equilíbrio.

"É possível cuidar da vida pessoal e, ao mesmo tempo, ter uma boa performance no trabalho", afirma.

A consultora organizacional e coach executiva Caroline Marcon concorda: "a tendência da segunda-feira mínima vem na mesma esteira de várias transformações que surgiram no mundo do trabalho no pós-pandemia, como a grande resignação e a demissão silenciosa".

Marcon destaca que as pessoas buscam ter cada vez mais autonomia para escolher como trabalhar e como utilizar o tempo de uma maneira que traga mais bem-estar, e pontua: "trata-se de uma demanda por flexibilidade e certa personalização da relação com o trabalho".

Em relação aos benefícios da prática, a coach executiva acredita que quando bem gerenciado e acordado entre líder e liderados, o movimento pode trazer, de fato, um aumento na satisfação com o trabalho, maior autonomia, produtividade e criatividade.

"Mas isso precisa ser conversado e não pode reduzir a qualidade e nem o tempo de entrega do funcionário", alerta.

Para a consultora, a melhor maneira de os gestores lidarem com essa situação é conversar, negociar e entender os impactos para todas as partes envolvidas visando chegar a um modelo que seja ganha-ganha.

Porém, ela pondera que existem algumas funções nas quais a adoção da segunda-feira mínima não é possível, e que é necessário haver maturidade profissional para entender se isso faz sentido para o negócio e para a área de atuação.

Ela ressalta: "não pode simplesmente acontecer porque a pessoa quer, mas sim se o ambiente de trabalho proporciona essa opção".

Junqueira lembra que as lideranças precisam estar atentas e serem compreensivas, já que a tendência da segunda-feira mínima pode ser um indicador de queda de motivação e engajamento, e desconexão por parte do funcionário em relação à empresa onde trabalha.

Nesse sentido, Marcon lembra que é sempre bom fazer um diagnóstico profundo e entender o porquê dessa situação acontecer.

"O fato é que quando as pessoas estão felizes com o trabalho, percebem que estão crescendo profissionalmente e veem propósito no que fazem, elas não vão procurar a segunda-feira mínima para trabalhar menos", defende.

Por fim, as especialistas avisam que é preciso entender se esse é um modismo passageiro ou se há algum problema mais sério sendo acobertado.

"Profissionais engajados, bem situados nos seus trabalhos, que se percebem reconhecidos pelo que fazem e que estão crescendo na carreira, provavelmente não vão querer adotar a segunda-feira mínima", completa Marcon.

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